Evento-Teste Jogos Olímpicos Rio 2016 Parque do Flamengo

Baía de Guanabara – um belo cenário que preocupa

Após oito dias de competição, terminou no sábado a Regata Internacional de Vela, evento-teste da modalidade para os Jogos de 2016, na Baía de Guanabara. Os velejadores estrangeiros dominaram nove das dez regatas disputadas. Os brasileiros Robert Scheidt, 4º na classe Laser e Jorge Zarif, 9º na classe Finn, não subiram ao pódio. O Brasil só conquistou medalha na Classe 49erFX Women, com o ouro de Martine Grael e Kahena Kunze na sexta-feira.

Apesar de os velejadores do país só terem subido ao pódio em uma categoria, a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) fez um balanço positivo dos resultados: esta medalha é um resultado representativo. Fazer cinco regatas da medalha em dez classes é um bom resultado e fica dentro do que almejamos. Queremos chegar aos Jogos Olímpicos com o maior número de classes em condição de disputar medalha, afirmou o coordenador-técnico da confederação, Torben Grael. 

Segundo declarou o presidente da CBVela, Marco Aurélio de Sá Ribeiro, o evento-teste foi um sucesso. Todos os Chefes de delegação foram unânimes em parabenizar o Brasil, apesar das diversas críticas de alguns competidores estrangeiros em relação à poluição da raia olímpica.

Um episódio ocorrido na última quinta-feira, mas só divulgado no sábado, chamou a atenção: um saco plástico teria atrapalhado a dupla brasileira Samuel Albrecht e Isabel Swan, competidores da classe Nacra. O leme deles desarmou, o barco saiu do rumo e capotou. Apesar de ter ocorrido em mar aberto, o incidente, que não pode se repetir durante a olimpíada, renovou a polêmica sobre a sujeira na Baía de Guanabara um ano antes da realização dos jogos. Por conta do ocorrido a dupla terminou a competição em 15º lugar.

Sobre a qualidade da água, suspeitas de infecção ainda não foram comprovadas, já que sintomas ainda podem ocorrer entre os cerca de 600 atletas e oficiais que tiveram contato com o mar. A Federação Internacional de Vela (ISAF) computou até agora 16 casos de pessoas que passaram mal, sendo que seis tiveram problemas com a comida do Maracanã. Número considerado baixo pela entidade. O caso do sul-coreano que passou mal foi visto como exagerado pela entidade.

A meta de sanear a Baía de Guanabara não será cumprida. O novo planejamento para as olimpíadas prevê um mutirão de limpeza para remover a maior parte do lixo flutuante, o que será feito por dez ecobarcos, e a instalação de ecobarreiras na boca dos rios para captar os resíduos antes que sejam lançados ao mar. Uma grande contribuição será oferecida pela natureza. No horário das provas, depois das 13h, o vento passa a soprar do mar para o continente, um efeito da subida da temperatura. Isso desvia a sujeira para o fundo da baía, distante das áreas de competição. Além disso, quando a maré está alta, situação esperada durante parte das provas, movimenta um volume maior de água e isso expulsa o lixo. As três raias da baía, por estarem na rota de trocas massivas de água, são menos poluídas e se encontram dentro do padrão exigido pelo Comitê Olímpico Internacional. É a natureza agindo em favor da Olimpíada.

Quanto à Marina da Glória, alguns atletas reclamaram da distância entre algumas instalações, mas cabe a ressalva de que o lugar está em obras, justamente para sediar as competições de vela durante os Jogos Olímpicos. Um forte cheiro de esgoto foi sentido na área durante o evento. Proveniente de uma ligação clandestina, o problema será sanado com a construção da galeria de cintura, obra em andamento a cargo da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae).

A segurança funcionou. Vários carros e integrantes da Polícia Militar, da Guarda Municipal e do Batalhão de Choque circulavam na área da Marina da Glória e nas passarelas de acesso. Com tamanho aparato, grande parte dos velejadores se sentiu segura para ir a pé de seus hotéis até a Marina.

No todo, o evento passou no teste. O belo cenário da Baía de Guanabara, com o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, as montanhas e a Ponte Rio-Niterói, será um elemento difícil de ser batido nas próximas edições dos Jogos Olímpicos.

Nacra 17

1-2015-08-23 Vela Final1

Nacra 17

Jason Waterhouse e Lisa Darmanin – Ouro – Austrália

Billy Besson e Marie Riou– Prata – França

Mandy Mulder e Coen de Koning – Bronze – Holanda

Finn

1-Vela Final 271

Classe Finn Men

Giles Scott – Ouro – Grã Bretanha

Tapio Nirkko – Prata – Finlândia

Pieter-Jan Postma – Bronze – Holanda

470

1-Vela Final 323

470 Women

Women

Anne Raeger e Briana Provancha – Ouro – Estados Unidos

Hannah Mills e Saskia Clarck – Prata – Grã Bretanha

Jo Aleh e Polly Powrie – Bronze – Nova Zelândia

470 Men AUS-FRA-CRO

Men

Peter Burling e Blair Tuke – Nova Zelândia

Nico Delle-Kart e Nicolaus Resche – Austria

Erik Reil e Thomas Ploessel – Alemanha