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O Amanhã

publicado por: Claudio Machado em

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A cigana leu o meu destino / Eu sonhei / Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante / Eu sempre perguntei / O que será o Amanhã

O ano era 1978 e assim começava a letra do samba enredo da Escola de Samba União da Ilha do Governador, uma indagação sobre o Amanhã. Naquela época a letra do samba sugeria a bola de cristal, o jogo de búzios e a cartomante para obter-se a resposta que, dependendo do que se queria saber, poderia demorar três dias. Trinta e oito anos depois, em 2016, os tempos são outros. Estamos na era e na velocidade da informática, o amanhã é agora e basta uma ida ao Museu do Amanhã que você terá respostas não só sobre o amanhã, mas, também, sobre o agora, de onde viemos, quem somos, onde estamos, para onde vamos e como queremos ir, tudo em poucas horas e no mesmo dia.

Inaugurado em 19 de dezembro na Praça Mauá, o Museu do Amanhã foi desenhado pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Com 338,3 metros de comprimento e 20,85 metros de altura, o museu branco neve tem 15 mil metros quadrados de área construída. Calatrava diz que se inspirou em uma bromélia que guarda semelhanças com a planta da espécie Tillandsia cyanea, nativa das Américas do Sul e Central.

Projetado para ser sustentável, a energia interna do museu é produzida por meio de placas que transformam a luz do sol em energia elétrica. Para captar a maior quantidade possível de luz solar, 5.492 painéis fotovoltaicos divididos em 24 módulos foram instalados na cobertura e se movimentam ao longo do dia, gerando 247,9 MWh por ano. A produção permite acender, por uma hora, aproximadamente quatro milhões de lâmpadas incandescentes de 60 w. Ainda na linha da sustentabilidade, no subsolo funciona o sistema de refrigeração que capta e filtra a água da Baía de Guanabara, a bombeia para formar o espelho d’água e depois a devolve, mais limpa, ao mar.

O museu conta com o chamado “Observatório do Amanhã” que funciona como um radar, recebendo e repercutindo informações de centros produtores de conhecimento em ciência, cultura e tecnologia do Brasil e do exterior. O espaço é também um legitimador dos conteúdos das exposições, ao mantê-las constantemente atualizadas com informações científicas. E tem, ainda, o papel de incentivar o debate de ideias e visões sobre os temas pertinentes ao museu.

Segundo seu diretor, o historiador da ciência Alfredo Tolmasquim, o Observatório tem a incessante missão de perguntar quais são as grandes oportunidades e ameaças para a sociedade nos próximos cinquenta anos. Essa tarefa é realizada de duas maneiras. Uma é feita pelo sistema Cérebro, um software que se conecta a instituições de referência em todo o mundo para garantir que os dados da exposição principal estejam atualizados. A outra é realizada por uma equipe que acompanha tendências e procura perceber questões que possam vir a ser incorporadas às experiências do museu. São temas “portadores de futuro”, como define o diretor.

O Observatório do Amanhã atua também como emissor de conhecimento e de debate. Atento aos temas mais urgentes e atuais da sociedade, o espaço tem o objetivo de promover reflexões e, constantemente, disseminar conhecimento em eventos, encontro de ideias e debates e palestras online, recebendo convidados e promovendo intercâmbios com uma rede de instituições parceiras, como a Academia Brasileira de Ciência e a International Union for Conservation of Nature (IUCN).

O Programa de Educação do Museu do Amanhã tem capacidade para receber 90 mil pessoas por ano, com o desafio de que cada uma das visitas seja um encontro para refletir juntos sobre os amanhãs possíveis. Conta com uma equipe interdisciplinar para a realização de visitas mediadas e escolares e propõe eixos temáticos para o debate dos professores com os alunos, trazendo as questões abordadas no museu, sua arquitetura, a Baía de Guanabara e a região histórica do entorno.

As atividades educativas foram concebidas para incluir e conectar pessoas de diferentes faixas etárias, formações, regiões geográficas e contextos socioeconômicos. Em “Minha avó também faz ciência”, crianças e idosos são convidados a participar de atividades conjuntas, unindo saberes de diferentes formações e épocas, mostrando que o aprendizado é um processo constante.

Já o fórum de debates “Manifestação” reúne jovens para refletir sobre o Amanhã, com encontros que podem culminar com uma festa na Praça Mauá, em frente ao prédio. No curso modular “Por dentro do Amanhã”, cada experiência do museu será aprofundada através de debates com os professores sobre temas como a relação do homem com o ambiente, consumo sustentável, superpopulação, desigualdade, multiculturalidade, saúde, novas tecnologias e mundo do trabalho. 

O programa de acessibilidade, por sua vez, utilizará audioguias, videoguias, visitas em libras e maquetes táteis. Também são objeto de estudo a área externa do edifício, a Baía de Guanabara e a região histórica onde o museu está localizado, a chamada Pequena África. O objetivo é incentivar o desenvolvimento do pensamento científico, sempre desmitificando a ciência e aproximando-a do cotidiano.

Pensando no impacto dos avanços tecnológicos e nas transformações que eles promovem na sociedade, o Museu do Amanhã desenvolveu uma área especialmente dedicada à inovação e à experimentação: o Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA). A área tem dois focos principais de atuação: os efeitos e resultados das tecnologias exponenciais – como inteligência artificial, internet das coisas, robótica, genômica, impressão 3D, nano e biotecnologia – e o futuro de determinados temas, como trabalho, urbanização, fabricação e alimentação.

Para desenvolver esses tópicos, o espaço desdobra-se em quatro frentes de atuação: educação, atividades, programa de residência criativa e exposições. Na área de educação, os cursos são dirigidos a vários públicos, explorando desde a internet das coisas e os dispositivos vestíveis até introdução à robótica,  eletrônica e conexão digital para idosos.

Entre suas atividades, o LAA vai oferecer palestras, grupos de discussão e encontros, além de ações da chamada ‘ciência cidadã’, na qual pessoas sem formação científica trabalham em conjunto com especialistas para desenvolverem pesquisas sobre problemas locais e globais. Além disso, vai promover desafios, chamadas criativas e maratonas de programação de softwares. 

O programa de residência criativa do LAA vai selecionar inovadores de todo o mundo para que, durante um período de um a três meses, trabalhem em projetos emergentes em sua área de atuação. Os participantes serão escolhidos pela qualidade do trabalho, pela capacidade de promover impactos sociais ou ambientais e pela habilidade de desenvolver projetos em ambientes transdisciplinares. O laboratório também será uma plataforma para pesquisadores, startups, empresas e criativos compartilharem projetos e ideias.

O Museu do Amanhã é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro, concebido e realizado em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, instituição ligada ao Grupo Globo, tendo o Banco Santander como Patrocinador Máster. O projeto conta ainda com a BG Brasil como mantenedora e o apoio do Governo do Estado, por meio de sua Secretaria do Ambiente, e do Governo Federal, por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O museu funciona de terça a domingo, das 12h às 19h, com última entrada  para as exposições às 17h. A entrada custa R$ 10.

Menores de 21 anos, estudantes de escolas e universidades particulares, pessoas com deficiência, servidores públicos do município, moradores da cidade e clientes Santander pagam R$ 5.

Alunos e professores da rede pública, crianças menores de 5 anos, pessoas com mais de 60 anos, funcionários de museus ou associados do Icom, Guias de Turismo e moradores do entorno do museu têm entrada gratuita.

Obs: às terças-feiras a entrada é gratuita.

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