Blog

Saguis

Perigo: os Saguis chegaram ao Parque.

publicado por: Claudio Machado em

1-Hoje 072

Além dos pássaros e aves o parque agora tem outro morador, não tão bem-vindo, os adoráveis saguis de tufos-brancos (Callithrix jacchus) e de tufos-pretos (Callithrix penicillata). O que parece ser mais uma bela exibição da rica natureza, na verdade, representa um problemão para a nossa fauna e até para a saúde dos seres humanos. Se esses adoráveis bichinhos aranharem ou morderam alguma pessoa, ela pode ser contaminada pelo vírus da raiva, hepatite e uma série de outras doenças e, também, contaminar outras pessoas. Eles não são nativos dos estados do Sul e do Sudeste, e chegaram às nossas matas como consequência da venda ilegal de animais silvestres.

Originário do Nordeste, os micos se proliferaram rapidamente. É muito comum vermos famílias inteiras de mico-estrelas, como também são conhecidos, passeando por árvores e pelos fios da rede elétrica da cidade atrás de comida. Bastante agressivo e voraz comedor de ovos, ameaça seriamente espécies nativas de pássaros, aves e mamíferos, em extinção, como o mico-leão-dourado e o formigueiro-do-litoral, um dos pássaros mais raros do mundo. A proliferação desenfreada dos saguis também coloca em risco a nossa saúde. Esses simpáticos macaquinhos são transmissores do vírus da raiva e outras doenças para os seres humanos.

O aumento exponencial desses pequenos predadores tem como uma de suas causas a fartura de alimentos que as pessoas, inocentemente, lhes oferecem. No processo natural as fêmeas tinham uma ou duas crias ao ano, mas com a atual disponibilidade de comida, elas agora têm seis, sete e até oito crias ao ano. Por isso os especialistas pedem que as pessoas não alimentem os animais. Dá para imaginar o que teremos no futuro se nada for feito para solucionar esse problema: uma natureza bem menos exuberante.

A solução do problema dos micos invasores é complexa e divide opiniões. Para muitos biólogos e cientistas, o caso é extremo, a única medida capaz de resolver essa questão é a eliminação dos micos. Não é crime exterminar espécies nocivas em determinadas áreas. O problema é que falta recurso para pesquisas sobre como isso seria feito. Há quem defenda a castração dos machos, que já vem sendo realizada pelo Laboratório de Ecologia de Mamíferos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Apesar de barato, este processo não é considerado tão eficiente. A terceira possibilidade é a transferência dos saguis para seu habitat natural. A ação levaria anos e anos, o que pode ser tarde demais para um problema tão urgente. Especialistas caminham com cuidado, num terreno cheio de obstáculos e com pouquíssima verba.

WhatsApp chat Clique para WhatsApp