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Opinião

Aterro Presente – Abordagem

publicado por: Claudio Machado em

 

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Decorridos oito meses do início da Operação Aterro Presente, no Parque do Flamengo, em dezembro de 2015, é inegável a melhora da segurança na área. A atuação dos agentes da operação, que fazem constantes abordagens a indivíduos suspeitos, tem inibido a ocorrência de delitos.

Já havia presenciado diversas abordagens, mas não estava nos meus planos ser alvo de uma delas, o que aconteceu ontem 29/08 no canteiro central entre as pistas de alta velocidade, nas imediações da Praça Cuauhtémoc, a conhecida praça do índio. Por volta do meio dia fui abordado por dois agentes da operação, um deles de arma em punho. Como cidadão me senti constrangido e assustado por ter uma arma letal para mim apontada.

Devo ressaltar que, no meu entender, aquela forma de abordagem não tenha sido a apropriada, por ter sido desproporcional. Digo isso porque eu não representava uma iminente ameaça à integridade física dos dois agentes por estar, naquele momento, em desvantagem numérica e com ambas as mãos ocupadas, já que carregava em uma delas uma sacola e na outra minha máquina fotográfica, meu instrumento de trabalho no parque. Executaram a devida revista corporal, verificaram meus pertences e documento de identidade e, após esse ritual, me explicaram que tal procedimento estava relacionado a uma denúncia que haviam recebido sobre um indivíduo suspeito que estaria trajando roupas parecidas com as minhas. Apesar desse dissabor não posso deixar de registrar que os agentes, após todas as verificações, foram educados e se desculparam pela abordagem a qual fui exposto.

Penso que a situação por mim vivenciada não é a ideal, mas entendo que não vivemos num mundo ideal. Entendo que assim como a população civil sente-se ameaçada pela violência que a criminalidade lhe impõe diariamente, os agentes da lei a sentem ainda mais, pois eles são a linha de frente no seu enfrentamento. Entendo que em determinadas situações a análise dessa ameaça possa ser superestimada por esses agentes, dado o extremo estresse a que são submetidos, constantemente, no exercício de suas funções. Mas penso, também, que o discernimento deve ser aplicado a todo e qualquer momento para evitar, principalmente, acidentes e a exacerbação da violência por aqueles que a devem combater.

Procurei pela coordenação do Aterro Presente no parque para relatar o ocorrido. Mesmo achando inapropriada a forma de abordagem, minha intenção era parabenizar, passado o susto inicial, a dupla de agentes por sua efetividade.  Fui recebido atenciosamente pelo capitão André Ramos a quem apresentei meu questionamento quanto à situação por mim vivenciada. O oficial acatou minha ponderação sobre o sucedido e informou-me que os agentes aos quais dirigia minha felicitação eram o tenente Almir e o soldado Helbert. O capitão agradeceu-me pela iniciativa de procurá-lo para elogiar a atuação de seus agentes e, aproveitando a ocasião, reforcei o pedido para que os veículos da operação deixem de usar as passarelas de pedestres como atalho para encurtarem seus deslocamentos no interior do parque. 

Apesar das ressalvas supracitadas, não posso me furtar a reconhecer que o trabalho desempenhado no parque pela Operação Aterro Presente, em suas linhas gerais, está sendo bem executado, o que não o exime de passar por um continuado aperfeiçoamento. Para isso a participação da população é primordial, fazendo denúncias, oferecendo sugestões e criticando quando necessário, mas, também, elogiando quando merecido.  

Em tempo: a abordagem não foi filmada como ocorria quando da implantação da operação.

Disque Aterro Presente: 98496-0114/operaçã[email protected]

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“Nova” Iluminação do Parque do Flamengo

publicado por: Claudio Machado em

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Finalmente, começaram as obras para a implantação da nova iluminação baixa do Parque do Flamengo. Funcionários da RioLuz estão rasgando o parque em toda a extensão da ciclovia para a fixação de 402 postes com lâmpadas de 100 watts. A obra está sendo executada em regime de urgência, com o trabalho se estendendo pelo período noturno.

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Antiga reivindicação dos frequentadores, encampada pela vereadora Leila do Flamengo, que conseguiu junto à Prefeitura a verba para sua realização, a obra, apesar de já estar prevista desde 2014, não tem autorização nem do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), nem do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgãos responsáveis, respectivamente, pela elaboração do projeto e sua posterior aprovação e liberação. Falta de tempo não pode ser alegada. Portanto, uma obra não autorizada, que poderá será embargada pelo Ministério Público Federal a qualquer momento. Acrescente-se a isso, a inexistência da placa obrigatória constando as informações sobre a mesma: nome da obra, valor total, objeto, início e término, agentes participantes e outras informações pertinentes.

Tanto a Prefeitura quanto a vereadora sabem que o parque é tombado, e que toda e quaisquer alterações em seu projeto original devem ser submetidas à análise dos órgãos responsáveis por sua preservação. Projeto algum foi elaborado pelo IRPH para essa nova iluminação. Tudo indica que a RioLuz está executando o antigo projeto de iluminação baixa que foi rejeitado pelo IPHAN em 1999, ou seja, estão implantando, em 2016, uma solução elaborada há 17 anos, já ultrapassada diante do avanço tecnológico ocorrido desde então.

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Avanço tecnológico que já se faz presente no parque. A empresa General Electric (GE) doou e está testando, em um dos postes, um novo sistema de iluminação inteligente que faz uso de luminárias de LED, o mesmo instalado no Cristo Redentor. Elas podem ser associadas a câmeras e sensores e transmitir dados. Além de aumentar a sensação de segurança essa nova ferramenta facilitará a manutenção, pois checará o funcionamento das luminárias e avisará à RioLuz quando houver problemas. A nova tecnologia também permite ajustar a luz conforme o trânsito. De acordo com as normas de iluminação viária, quanto maior o tráfego ou a velocidade permitida, mais intensa deve ser a luz. Então, dependendo do fluxo e da velocidade, o sistema ajusta a luminosidade das luminárias à necessidade do momento. Essa modulação propiciará uma considerável diminuição no consumo de energia do parque que hoje é de 1.161 Kw e será reduzido para 237,6 Kw. Uma substancial economia para os cofres públicos. O IPHAN está analisando a adoção desse novo aparato tecnológico que, caso seja aprovado, será instalado pela General Electric em todo o Parque do Flamengo.  

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A Prefeitura e a vereadora têm ciência desses fatos e, ainda assim, estão gastando dinheiro público adotando um sistema de iluminação defasado em uma obra feita a toque de caixa. Eles não querem uma obra bem feita, eles querem a obra feita. Não sabemos quanto vai custar, contudo sabemos quando vai terminar: antes das eleições municipais de outubro deste ano. Afinal esse é o modus operandi de nossos políticos, inaugurarem obras às vésperas do pleito para angariarem votos.

Recentemente, vivenciamos os malefícios que essa persistente prática pode causar: o trágico acidente ocorrido na Ciclovia Tim Maia, que resultou na morte de duas pessoas e em prejuízo financeiro para os cofres públicos, leia-se, dinheiro do contribuinte. Tanto lá como cá a obra não passou pelo crivo dos órgãos competentes. A urgência para a entrega atropelou todos os parâmetros do bom senso no trato da coisa pública.

O Instituto Lotta não é contra a implantação de uma nova iluminação, mas defende que a mesma seja criteriosamente planejada, analisada, aprovada, liberada e executada. Dessa maneira, equívocos e gastos desnecessários são evitados durante a elaboração e realização do projeto. Existem áreas sombreadas no parque que realmente necessitam de iluminação baixa, mas não é preciso que de 20 em 20 metros haja um poste iluminado, como estão sendo colocados agora. Burle Marx já dizia, a respeito de uma das propostas de iluminação apresentadas à época, que se aquilo fosse aprovado, o parque iria ficar parecendo um “paliteiro”. E é isso que acontecerá, uma completa mutilação do projeto original se a obra, ora em andamento, for concluída.

Para evitar interferências desse tipo é que Lotta de Macedo Soares, a idealizadora do parque, lutou pela criação de uma fundação para a sua administração. Ela anteviu, que se o parque ficasse ao sabor dos interesses políticos, tanto sua manutenção quanto sua preservação estariam ameaçadas, ao dizer: “Se cada secretaria, cada departamento, cada político com a sua idéia particular, com a sua área de influência vier com proposições fora do espírito pelo qual o parque foi planejado, será a rápida destruição, ainda sem estar terminada, de uma obra única”. Para ela, somente uma administração profissional e responsável seria capaz de salvaguardar, em seu melhor sentido social e humano, uma área tão grande e complexa como o Parque do Flamengo.

O momento político e econômico adverso que o país e toda a sociedade brasileira agora experimentam, é o reflexo da falta de comprometimento de nossas autoridades no trato da coisa pública. A situação exige da classe dirigente uma postura mais respeitosa, cuidadosa  e transparente no uso do dinheiro do contribuinte. Ele não pode e não deve ser desperdiçado em obras que visam, eminentemente, a dividendos eleitorais. O Parque do Flamengo e a população não merecem e não aceitam isso!

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Saiba mais em: http://www.parquedoflamengo.com.br/sobre-o-parque/a-iluminacao/

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Operação Aterro Presente – Balanço do 3º Mês

publicado por: Claudio Machado em

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Completados três meses da Operação Aterro Presente, não se pode negar a melhora da segurança no Parque do Flamengo. É real o ganho apresentado pelas estatísticas oficiais divulgadas, que aferem a redução do número de ocorrências registradas na área. Apesar dessa constatação, ainda paira uma sensação de insegurança nos frequentadores e nos moradores do entorno. O que é perfeitamente natural devido à ocorrência de vários episódios de violência e crime ali praticados.

Diminuir a sensação de insegurança é uma operação mais complexa, demanda tempo para ser consolidada. É preciso restaurar a confiança dos frequentadores e dos moradores do entorno do Parque do Flamengo quanto à aplicação dessa nova abordagem na manutenção da segurança na área. O restabelecimento dessa confiança está diretamente ligado à percepção de que esta não é mais uma ação pontual, e sim permanente. Mas não apenas isso, é necessário, também, que a Operação Aterro Presente cumpra exemplarmente as metas que nortearam a sua criação, ou seja, reduzir os índices de criminalidade, promover o reordenamento urbano e garantir o direito de ir e vir de moradores da área e frequentadores do Parque do Flamengo.

Essa não é uma tarefa fácil, requer o comprometimento e a dedicação de cada um dos envolvidos nessa operação, independente do nível hierárquico que ocupe. Todos devem estar cientes da importância do local onde estão atuando e do significado do trabalho que estão ali desempenhando. Cabe à população apoiar, incentivar e também fiscalizar e cobrar.

Entretanto, invertendo o sentido de uma antiga frase dita pelo General Junot ao invadir Portugal a mando de Napoleão, “nem tudo está como dantes no quartel do Abrantes”. É preocupante que já no terceiro mês de atuação da Operação Aterro Presente, indícios sinalizem que a eficácia e a qualidade do serviço, já não são mais as mesmas. O número de agentes agora atuando no Parque leva a crer que houve diminuição do efetivo e, não se vê mais, a ação dos funcionários da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social no acolhimento da população em situação de rua, um dos principais problemas do Parque e da cidade. Sabemos que essa não é uma empreitada de fácil solução, mas que parecia estar sendo resolvida nos primeiros momentos da operação. A presença dessas pessoas, em princípio, não representa um risco, desde que não sejam violentas. O problema é que se agregam a elas, ocasionalmente, marginais e criminosos, o que requer uma vigilância constante.

No tocante a atuação dos agentes da Operação Aterro Presente, estes têm deixado a desejar. Há algum tempo, vans e o automóvel Gol por eles conduzidos, vêm usando as passarelas para se deslocarem de um lado ao outro do Parque. Tal prática, além de afrontar a Lei e a Ordem, preceitos que norteiam o desempenho de suas funções, coloca em risco a segurança de todos, já que as passarelas foram projetadas para o trânsito de pessoas e não de veículos. A continuar esse inapropriado e proibido uso, danos estruturais com certeza nelas ocorrerão. Danos esses que podem por em risco a vida de pessoas e causar enormes prejuízos financeiros. Essa atitude pode servir de estímulo para que outros façam o mesmo, já que os obstáculos que impediam a passagem de veículos foram retirados para facilitar o livre trânsito das viaturas usadas no patrulhamento.

Os agentes da Operação Aterro Presente parecem desconhecer o fato de que o Parque do Flamengo é um bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e um Patrimônio Mundial como  Paisagem Cultural, título concedido  pela UNESCO. Agora ele não é só seu, meu, nosso, é um Patrimônio da Humanidade. Sua proteção é dever de todos, principalmente dos que ali estão para fiscalizarem a manutenção da Lei e da Ordem.

Por último fica aqui uma indagação que prefiro não seja verdadeira: será possível que a prática adotada pelos agentes de usar as vans e o Gol, está atrelada ao fato de ser mais confortável fazer o patrulhamento a bordo desses veículos refrigerados do que de moto, bicicleta ou a pé?

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Saiba mais sobre o assunto em:
Operação Aterro Presente
Balanço da Operação no 1º Mês

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Aterro Presente – 1º Mês – Balanço da Operação

publicado por: Claudio Machado em

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Réveillon Parque 243

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Após um mês de funcionamento da operação Aterro Presente já é visível a melhora na segurança do Parque do Flamengo. O efetivo de 164 agentes que trabalham de segunda a sábado, das 6h às 22h, e aos domingos e feriados, das 7h às 19h, com o apoio de 27 bicicletas, oito motocicletas, quatro viaturas e três vans, vem desempenhando de forma eficaz o patrulhamento na área entre o Aeroporto Santos Dumont e o Monumento a Estácio de Sá.

A maior parte das ocorrências registradas no primeiro mês de atuação do novo policiamento no Parque do Flamengo está relacionada à posse e consumo de drogas. Nos primeiros dias da operação 78 pessoas foram detidas por esse motivo. O porte de arma branca ocasionou a detenção de outras nove, todas encaminhadas para a 9ª DP (Catete) para averiguação. Alguns indivíduos foragidos da justiça e vários suspeitos, também foram detidos e encaminhados à delegacia.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social realizou diversas ações de acolhimento. O número de moradores de rua diminuiu sensivelmente. O Jardim Suspenso, área contígua ao MAM, antes totalmente tomada por essas pessoas, assim como por marginais que a elas se misturavam, agora já pode ser novamente frequentado e apreciado.

O Jardim Sinuoso, área localizada entre as pistas, compreendida entre a Praça do Russel e o início dos Campos de Pelada, onde estão localizadas as passarelas de acesso à Marina da Glória, local de grande vulnerabilidade, já pode ser atravessado sem sobressaltos.

O trecho entre o MAM e o Teatro de Arena, apelidado de área do medo, melhorou muito, mas precisa de atenção constante por ser um dos mais problemáticos do Parque. A reinauguração da Marina deve propiciar o aumento da circulação de pessoas na área, o que refletirá positivamente na segurança.

Para o capitão Leonardo Laureano, coordenador da operação, já houve queda no número de ocorrências. Fato que ele atribui à presença do policiamento na área. Até o presente momento a efetividade da operação Aterro Presente aumentou a segurança e, como consequência, diminuiu a sensação de insegurança que imperava no Parque do Flamengo. Esperamos que esse ganho permaneça.

Cabe agora aos moradores do entorno e aos frequentadores do Parque do Flamengo voltarem a circular na área como um todo. O abandono só beneficia àqueles que estão mal intencionados. Vamos ocupar o Parque, ele é nosso, é de quem o ama e não dos que dele só querem tirar proveito.

Colaborem com o policiamento denunciando irregularidades, dando sugestões, valorizando o trabalho dos agentes, mas também cobrando a permanência da qualidade na prestação do serviço.

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Tanque de Nautimodelismo – Esclarecimento

publicado por: Claudio Machado em

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Sem utilização desde os anos 2000 e relegado pelo descaso ao esquecimento, o Tanque de Nautimodelismo do Parque do Flamengo foi reativado e reinaugurado, após pedido do Movimento #OCUPAPARQUE à Gerência de Monumentos e Chafarizes da Secretaria de Conservação e ao empenho de sua gerente, Vera Dias. A razão apresentada para que tal providência ainda não tivesse sido tomada, até àquele momento, era a de que depois de tanto tempo sem utilização e manutenção, o equipamento não teria condições de ser reativado sem uma grande reforma para a qual não havia verba disponível.

Para surpresa de todos bastou a abertura de um registro pela equipe de manutenção da Gerência de Monumentos e Chafarizes para que a água jorrase normalmente no tanque até seu pleno enchimento, o que provou a excelente qualidade da obra executada há cinquenta anos. Parabéns a Lotta, ao Grupo de Trabalho e a SURSAN. Após tal constatação o tanque foi esvaziado e a Comlurb realizou uma extensa limpeza para a retirada da camada de lodo e, ato contínuo, novamente enchido.

Uma das preocupações do #OCUPAPARQUE era, justamente, quanto à possibilidade de o tanque se tornar um criadouro de mosquitos Aedes Aegypti, o temido transmissor dos vírus causadores da Dengue, Chicungunha e Zika. Tal possibilidade foi descartada por Vera Dias ao garantir que sua equipe cuidaria da manutenção periódica do equipamento, o que vinha ocorrendo normalmente.

Tal empenho na reativação do tanque era para que ele fosse reinaugurado na festa de comemoração dos cinquenta anos do Parque. No dia 17 de outubro do corrente ano, o Tanque de Nautimodelismo foi reinaugurado com uma regata de barcos à vela, um dos vários eventos realizados ao longo desse dia por todo o Parque. Com a reinauguração os praticantes que a muito reivindicavam a volta da utilização do tanque, puderam voltar a praticar o esporte que tanto amam e para o qual o tanque foi projetado e construído.

É perfeitamente normal que moradores do entorno e pessoas que frequentam o Parque, mas desconhecem que o tanque tenha sido reinaugurado e que é regularmente monitorado por funcionários da prefeitura, manifestem preocupação quanto a tal volume de água parada. Como havia chovido muito no final de semana anterior, imaginaram que a água do tanque fosse proveniente dessa chuva e, por isso, fizeram a denúncia à mídia. Isso demonstra preocupação com a sua segurança e a de todos os outros. É uma atitude louvável e que deve ser replicada em qualquer situação de dúvida.

O repórter do Bom Dia Rio, Diego Haidar, que foi ao local apurar a denúncia procedeu corretamente ao procurar esclarecimentos junto à Secretaria Municipal de Saúde. Na resposta a secretaria que desconhecia, também, o fato de o tanque ter sido reinaugurado, informa que além do monitoramento que é feito regularmente, mandaria funcionários fazerem uma verificação no local. Esclarece, ainda, que mesmo que a água fosse proveniente da chuva, o que não era o caso, a grande insolação ali ocorrida elimina o risco de reprodução do mosquito.

Pelo que acreditamos ter sido um lapso de memória, coisa perfeitamente normal, a Vereadora Leila do Flamengo que teve participação ativa na festa de comemoração do cinquentenário do Parque e estava ciente dos esforços feitos pelo #OCUPAPARQUE e pela Gerência de Monumentos e Chafarizes da Secretaria de Conservação, para que o tanque voltasse a ser utilizado e do monitoramento por esta realizado, solicitou, através de ofício ao Secretário de Conservação, como publicado em seu facebook, o esvaziamento temporário do Tanque de Nautimodelismo para prevenir a proliferação de mosquitos que causam Dengue, Zika e outras doenças. 

Como entendemos que no afã de dar uma resposta imediata a uma pertinente preocupação de seus eleitores a vereadora tenha agido de maneira precipitada, já que deveria ter primeiramente consultado a Secretaria Municipal de Saúde antes de solicitar qualquer providência, como o fez corretamente o repórter Diego Haidar, entendemos, também, que diante da resposta da secretaria, tranquilizando a população quanto ao fato denunciado a vereadora envidará, com toda celeridade anteriormente empregada, os esforços necessários para que a situação que agora se apresenta, qual seja, o esvaziamento do tanque, seja revertida.

Como admiradora do trabalho de Lotta e defensora do seu legado, assim como nós, sabemos do amor que Leila do Flamengo devota ao Parque e por isso contamos com a sua importante colaboração para que, além do nautimodelismo, todos os outros equipamentos que dele fazem parte operem em sua plenitude, proporcionando a toda a população horas de lazer em recreação viva, alegre e construtiva, o grande desejo de Lotta de Macedo Soares.

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Saiba mais sobre o Elemento Arquitetônico
e a prática desse esporte acessando

Tanque de Modelismo Naval

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Grades de volta ao Parque do Flamengo

publicado por: Claudio Machado em

Em 02 de outubro de 2009 o Rio de Janeiro comemorou com festa a sua escolha como cidade sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Como vencedora assumiu uma série de compromissos obrigatórios estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional-COI.

De 15 a 22 de agosto de 2015, um desses compromissos acontecerá na Marina da Glória, palco da “Aquece Rio Regata Internacional de Vela 2015. Para a realização desse evento teste, além da Marina, parte do Parque do Flamengo foi cercada com grades que isolaram, inclusive, um trecho da areia e do mar. No espaço isolado ficarão a estrutura de lançamento dos barcos e a área destinada a árbitros e fiscais.

Entendemos que por questões de segurança a área seja cercada. Tal medida faz parte dos compromissos assumidos pela cidade, mas não aceitamos que a população e os usuários do Parque não sejam comunicados do que está ocorrendo. De um dia para o outro, parte da área aparece gradeada e não há sequer uma placa ou faixa informando o responsável, o motivo e por quanto tempo perdurará tal situação. Ainda não esquecemos dos tapumes que isolaram e muito contribuíram para a degradação do Parque durante anos. Por isso a Empresa Olímpica Municipal, responsável pela realização do evento, deve essas explicações ao público. Esperamos que isso ocorra o mais rapidamente possível.

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Opinião

HORIZONTE ESTREITO. Nossa opinião sobre a performance “Horizonte Negro”

publicado por: Fernando Nascimento em

HORIZONTE ESTREITO

Horizonte Estreito

A performance “Horizonte Negro”, de autoria da artista visual Martha Niklaus,  foi usada como forma de protesto,  por um grupo de velejadores, contra as obras de revitalização da Marina da Glória. Como manifestação artística o ato foi válido, mas a escolha da bandeira negra como símbolo do protesto, uma completa e lamentável falta de sensibilidade.

A visão daquelas bandeiras negras singrando as águas da Baía de Guanabara trouxe à lembrança cenas chocantes das barbáries perpetradas por outro grupo minoritário que faz uso do mesmo símbolo, o Exército Islâmico. É claro que a comparação num primeiro momento possa parecer descabida, afinal de contas os velejadores não praticam as atrocidades que esse grupo extremista vem expondo regularmente na mídia mundial. Em verdade o que os aproxima são a estreita visão de mundo que ambos defendem e querem impor à maioria, e o uso da mídia como meio para atraírem atenção e alcançarem seus objetivos.

Tanto lá no Oriente Médio como aqui, essa minoria luta pela manutenção de uma ideologia que rejeita o progresso e a modernidade. Diferindo da maioria dos proprietários de barcos e usuários da Marina, esse pequeno grupo de velejadores defende a paralisação das obras alegando que o local será elitizado.  Como se eles, em comparação com a maioria da população, não fossem elite. A eles não importa que os outros proprietários, usuários, Parque e cidade percam com a interrupção. O que interessa é manter seu status quo.

Dentre os que participaram do protesto, alguns moram em seus barcos na Marina da Glória. Quem não gostaria de morar num local privilegiado como aquele? Na zona sul da cidade, a cinco minutos do Centro, com ônibus e metrô à porta, por um preço abaixo do que o mercado estabelece para a área e, ainda, sem pagar IPTU e laudêmio, imposto pago por todos os que ocupam terrenos de marinha, caso dos proprietários de imóveis na orla da cidade.

Em entrevista publicada em 15 de setembro de 2012, no jornal O Globo, um morador em barco contou que deixou o confortável apartamento que dividia com dois amigos, em Jacarepaguá, para viver num pequeno veleiro ancorado na Marina. Trabalhava em um escritório na Glória e reclamava que era um “suplício” o deslocamento de casa para o trabalho e vice-versa. Perdia até três horas de seu dia no trânsito.

Sua primeira opção seria morar em um quarto e sala, mas ao procurar nos classificados se deparou com os preços inflados do mercado imobiliário carioca, além da exigência de um fiador. Em um churrasco num terraço na Glória comtemplou os barcos atracados na Marina e teve a ideia. Pesquisou e constatou que ancorar um barco permanentemente num píer, com acesso à água potável e eletricidade, era muito mais em conta que alugar um apartamento. Concluiu que o mar seria o local perfeito para uma mudança de vida. Comprou um veleiro de 26 pés e passou a morar num local seguro e privilegiado. No final de semana levanta a âncora, iça as velas e curte, de casa, o belo litoral carioca. Como diz a campanha do MasterCard: “Não tem preço”.

São essas pessoas que se dizem preocupadas com o Parque do Flamengo. Não é inválido o estilo de vida que defendem. Certamente muitos gostariam de comprar um barco para desfrutarem das vantagens e facilidades que essa opção de moradia oferece. O que não é válido, é que na tentativa de sensibilizarem a opinião pública, usem a defesa do Parque como um meio para alcançarem seus interesses particulares e imediatos. O que não devemos aceitar é que essas pessoas se apresentem como porta-vozes e defensoras dos anseios da maioria, quando não o são.

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Opinião

Editorial: A Candidata Duas Folhas – Sonia Rabello e o Parque do Flamengo

publicado por: Fernando Nascimento em

A Candidata Duas Folhas

A respeito da cassação da liminar que paralisou as obras da Marina da Glória, deferida pelo Desembargador Federal Marcelo Pereira da Silva, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, me surpreenderam os termos duros usados pelo desembargador, dirigidos à Federação das Associações de Moradores da Cidade do Rio de Janeiro (FAM-RJ), representada na pessoa de sua presidente Sonia Rabello, autora da ação civil pública que suscitou o atual posicionamento da justiça.

Diz o desembargador em determinado trecho de seu despacho: a Agravante em “manobra maliciosa”, ocultou duas folhas dos referidos autos, exatamente as que continham a informação de que o seu causídico teria tomado ciência da decisão agravada…

Em outro trecho do mesmo documento ele diz: não há que negar que a conduta da Agravante marcada por “franca deslealdade processual” permite imputá-la eventual responsabilidade por tais danos…, referindo-se aos prováveis prejuízos advindos com a suspensão dos efeitos da aprovação do referido Projeto.

Em seu perfil na internet Sonia Rabello se apresenta como Jurista e Professora, com vários títulos acadêmicos, no Brasil e no exterior. Informa que ocupou diversos cargos na esfera pública e privada, inclusive o de Vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Os referidos títulos e experiência acumulados são o indicativo de que ela é detentora de um notório saber.

Acessando seu Blog se constata que ela é candidata a novo cargo eletivo, pois, desde já, vem fazendo propaganda política. Para isso aplica uma técnica muito usada em propaganda e marketing. Ao entrar na página a primeira mensagem que você recebe é a seguinte: “Precisamos reeleger Sonia Rabello vereadora do Rio.” Marina Silva. Isso tudo acontece muito rapidamente, pois a mensagem logo desaparece. Mas toda vez que a página for acessada você a verá. São mensagens de persuasão feitas para serem percebidas apenas pelo subconsciente. A isso se dá o nome de propaganda subliminar, uma forma “maliciosa” de influenciar pessoas. A candidata domina muito bem tal técnica. Esse tipo de propaganda é crime em países como os Estados Unidos e França, mas aqui no Brasil não existe uma legislação específica sobre isso. Não sei se isso é crime eleitoral, mas que não é ético tenho certeza.

Ainda no Blog há um vídeo da audiência Pública sobre a Revitalização da Marina da Gloria e Parque do Flamengo, realizada pela ALERJ, em 12 de junho de 2015, em que a candidata se declara, como presidente da Federação, representante de todas as associações de moradores da cidade. Ela deve representar algumas, mas todas com certeza não.

Continuando seu discurso no vídeo ela faz variadas acusações, ora à Prefeitura, ora à BR Marinas, sempre usando termos vagos como: supostamente, eu soube, teria mandado, que parece ser, um tal de e outros mais. Porém uma frase me chamou mais a atenção: pressionar a juíza para que dê a liminar. Isso me remeteu a situações vividas atualmente no cenário político do país, quando integrantes do governo federal recorrem à mesma prática, “pressionar”, para impedir as investigações da operação Lava-Jato. A operação que desmascarou o falso nacionalismo do partido do governo, quando dizia ser defensor dos interesses nacionais na Petrobras, mas em verdade queria mesmo é dilapidar o patrimônio da empresa e do país, para alimentar seu projeto político de manutenção do poder e com isso jogou o Brasil na atual crise.

Mais uma vez o protagonismo de um juiz trouxe à tona a “manobra maliciosa” utilizada por esses políticos, falsos defensores dos interesses da sociedade, e que fazem de tudo para chegar ao poder e nele permanecer indefinidamente. Prestem atenção aos seus discursos maliciosos, eles sempre “ocultam duas folhas”.

Sonia Rabello ainda cita Lotta de Macedo Soares, dizendo-se defensora do Parque do Flamengo. E aí eu me pergunto, será que é mesmo?

O Parque tem inúmeros e grandes problemas que não são abordados pela candidata como: os banheiros estão todos quebrados e fechados; o trenzinho foi desativado; o tanque de nautimodelismo está seco; gatos infestam áreas reservadas às crianças, colocando em risco a saúde delas; a insegurança, que por falta de um policiamento regular e efetivo, afasta o público; a Localiza, uma empresa privada, ocupa há muito tempo uma extensa área do parque; o Clube Intenacional demoliu toda a parte interna do prédio tombado, deixando somente as paredes externas; para onde vai o dinheiro que o parque gera com os postos de combustíveis, com as concessões e eventos que nele acontecem? Todas são questões de extrema importância para a preservação do Parque, mas não são evidenciadas pela candidata.

Por último destaco uma ação que Lotta enxergava como a solução para livrar o Parque de toda e qualquer ameaça pública ou privada, a criação da Fundação. Se quisesse realmente defender o Parque, a candidata deveria envidar todos os esforços necessários no sentido de trazer esse órgão de volta. Isso sim seria uma atitude digna na defesa do legado de Lotta.

Penso eu que uma verdadeira defensora do Parque o defenderia como um todo, não se fixaria apenas em uma determinada parte dele, não que essa parte seja desimportante. Mas parece que a candidata tem fixação apenas em uma área de 10 mil metros quadrados, exatamente a área ocupada pela Marina da Glória. Por que será, qual o verdadeiro objetivo oculto?

A resposta é que Sonia Rabello, como dito anteriormente, é dona de notório saber e domina muito bem as técnicas de propaganda e marketing. Ela sabe que a Marina dá mídia, dá Ibope. É um palanque para a propaganda espontânea e gratuita. Tudo aquilo que o candidato que almeja ser eleito mais deseja. Por isso ela afirma que vai entrar com tantas ações quantas forem necessárias para impedir a concretização do projeto. Ela sabe que cada ação, ganha ou não, repercute na imprensa e a deixa em evidência (cada mergulho é um flash).

O grande medo da candidata é que o projeto se concretize e seja bem sucedido. Isso ocorrendo, ganham o Parque e a sociedade, mas ela perde o seu palanque, protagonismo e mídia gratuita. Tal fato ela não pode permitir porque prejudicaria seu projeto político pessoal, a reeleição, seu verdadeiro objetivo.

O que é lamentável, ao que tudo indica, é que no período em que ocupou a cadeira de Vereadora, Sonia Rabello aprendeu a praticar o tipo de política e a ser o tipo de político que, nós brasileiros, repudiamos quando fomos às ruas nas manifestações recentemente ocorridas em todo o país. A política e o político que, maliciosamente, induzem o povo a pensar que atuam na defesa dos interesses da sociedade, quando verdadeiramente estão defendendo seus interesses pessoais. A política e o político que, para conseguirem seu intento, fazem de tudo, inclusive “ocultar duas folhas” a fim de enganarem a justiça. Ato que a candidata achou por bem nomear de um incidente processual, mas que o desembargador classificou como “franca deslealdade processual”. Todo esse condenável comportamento não é, certamente, o que o cidadão e eleitor esperam de uma Professora, Jurista e candidata a um cargo eletivo.

 

clube_internacional_11

Clube Internacional de Regatas – Obra sem qualquer placa indicativa

nautimodelismo_11

Tanque de Modelismo Naval – Item nº 27 da Relação de Tombamento do Parque.

Localiza

Garagem de carros para locação da Localiza no interior do Parque.

banheiros

Banheiros fechados e quebrados

carrinho_eletrico

Carrinhos Elétricos em substituição ao Trenzinho para passeios no parque – Extintos em dezembro de 2012

 

Opinião

Manifesto do Movimento #OCUPAPARQUE sobre a Revitalização da Marina da Glória

publicado por: Fernando Nascimento em

Nova Marina

        Marinas são “a janela da cidade”, local para onde as pessoas se dirigem a fim de descontrair, contemplar, observar o mar, a atividade náutica e as pessoas. Não necessariamente para andar de barco. É fato notório que grande parte dos visitantes em marinas chegam ali por terra, e a maioria não possui barco.

        Em diversas cidades do mundo, as marinas são alavancas para revitalização de trechos degradados, e buscam criar atrativos tanto para seus moradores quanto para turistas. Não se limitam a ser meras garagens de barcos, são espaços multifuncionais que oferecem além de infraestrutura náutica, atrações culturais que as tornam parte vibrante de suas cidades. Estabelecem uma noção de identidade com a população local, melhoram a qualidade de vida e incrementam a cadeia de turismo, trazendo prosperidade econômica.

        Segundo especialistas no assunto, o Brasil com enormes faixas de área litorânea com ventos e ondas amenas, além dos atrativos naturais, como baías, penínsulas, barras de rios, ilhas, praias espetaculares é, reconhecidamente, o país com o maior potencial do planeta para desenvolver atividades náuticas. As cidades ao longo desse exuberante litoral deveriam colocar em prática a construção de marinas públicas, que fossem não somente um ponto de estacionamento de barcos, mas principalmente um dos atrativos turísticos mais relevantes de cada uma dessas comunidades, a exemplo do que vem ocorrendo no mundo inteiro.

        Conhecida mundialmente por sua belíssima paisagem e pela acolhida calorosa e hospitaleira que dá a todos que aqui chegam, seja por terra ou pelo ar, nossa cidade não pode dar tratamento diferente àqueles vindos por mar. O Rio de Janeiro foi a primeira e uma das únicas cidades do Brasil a ter o privilégio de contar com uma marina pública. Por isso merece ter um belo, moderno, seguro e bem aparelhado centro náutico.

        Um projeto de autoria do arquiteto Amaro Machado deu à cidade, em 1979, a Marina da Glória. Com o passar dos anos a edificação sofreu um processo contínuo de intervenções arquitetônicas que a desfigurou ao ponto de ela ser gradeada, o que afastava o público e lhe negava o papel para o qual fora pensada.

        Concessionários se sucederam no controle da gestão da área tentando, em vão, realizar modificações que adequassem a marina e o entorno às suas demandas operacionais. Esse processo transformou a área em uma colcha de retalhos de intervenções que não viam o todo, mas apenas suas necessidades imediatas. A marina parou no tempo, o que resultou na ausência de efetiva ocupação da área.

        Há anos o Rio de Janeiro está carente de um equipamento que receba adequadamente os frequentadores habituais e visitantes, usuários da marina ou não. A perda desse fluxo de pessoas e a pouca ocupação do local representam um ambiente propício ao caos urbano com assaltos, usuários de drogas e população de rua.

        Importante destacar que a sociedade carioca, principalmente aquela que vivencia o Parque do Flamengo, não tem interesse em, sob o jugo da preservação, ver seu patrimônio entregue ao abandono. Hoje temos notícias de alguns poucos, ao que parece, usuários da marina insatisfeitos com as mudanças. Entendemos que qualquer mudança traz inconvenientes, qualquer reforma de qualquer vizinho geralmente é um aborrecimento. Porém, o que precisa prevalecer é o interesse público de se prosperar vida urbana saudável a partir da revitalização da Marina da Glória, permitindo seu reflorescimento e saudável ocupação, irradiando uma nova frequência para os bairros que circundam o Parque do Flamengo.

        Alguma modificação era preciso que fosse feita para que uma área tão importante do Parque do Flamengo saísse da obsolescência e fosse trazida aos dias atuais, sem ferir os princípios paisagísticos e culturais do parque.

        Como eixo principal dessa mudança, em 2013, se iniciou um plano de revitalização que, além de abrir o complexo ao Parque do Flamengo e à população, tem a finalidade de dotar o local das condições necessárias para sediar as competições náuticas durante os Jogos Olímpicos de 2016. O projeto de autoria do arquiteto Eduardo Mondolfo, orçado em 60 milhões de reais e aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), será totalmente custeado pelo atual concessionário.

        O plano aprovado, e já em execução, inclui conceitos de preservação da ambiência do parque, dinamização dos espaços públicos e organização dos equipamentos voltados ao lazer, esporte, turismo e cultura. Objetiva integrar a Marina ao Parque do Flamengo, desenvolver as atividades náuticas e adequar as áreas destinadas para eventos. Aguardamos ansiosos por essa revitalização, uma das poucas relevantes notícias de alento para o combalido noticiário dos jornais, que promove o Parque como zona de medo e insegurança.

        Os parâmetros estabelecidos no projeto determinam que a planta não ofusque a paisagem do entorno, onde se veem o Parque do Flamengo, o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara. Evitam o confronto com o Museu de Arte Moderna (MAM) e o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, construções históricas na vizinhança. Também estabelecem a supressão de qualquer tipo de grade que impeça o acesso à área. O paisagismo é de autoria de Haru Ono, do escritório Burle Marx. A obediência aos conceitos do projeto original do arquiteto Amaro Machado, de 1979, está presente em todo o planejamento.

“Um erro comum de iniciativas anteriores foi a proposta de mudanças radicais em uma paisagem naturalmente perfeita. Querer chamar mais atenção para uma obra arquitetônica, nesse caso, é brigar com Deus.”, diz o autor do projeto, Eduardo Mondolfo.

        Com a revitalização a marina se tornará um equipamento com enorme poder de atração, tanto por mar quanto por terra. O grande afluxo de pessoas impactará positivamente a área, ocupando-a e contribuindo sobremaneira para que a questão da segurança, até então precária, seja tratada de maneira mais presente e eficiente pelas autoridades responsáveis.

        A Marina da Glória para os cariocas é “a janela da cidade”, por meio da qual descortinam toda a beleza da Baía de Guanabara. Para os turistas em seus barcos, é “a nossa porta aberta para o mar”, dando as boas vindas a quem chega, desejando uma boa viagem a quem parte e convidando-os a um breve regresso.

        Nós, frequentadores, proprietários, concessionários e associações que trabalham no Parque do Flamengo, acreditamos na prevalência do interesse público com boa fé, e que o projeto parece bem resolvido e em sintonia com os interesses da cidade e dos seus cidadãos. Entendemos que o mais importante para aquela área é terminar o que já foi iniciado, sem embargos. Caso contrário, a interrupção ou atraso na conclusão das obras é a certeza de que o abandono e a degradação daquela região continuarão, sem perspectivas de melhoras no curto prazo.

        A Marina da Glória, mesmo sob gestão privada, continuará a ser um equipamento público, aberto a todos  os  usuários, residentes   ou visitantes. Acreditamos que a implementação do empreendimento cause os efeitos esperados, especialmente na redução da insegurança pública. Cariocas e turistas, com ou sem barco, desde já agradecem e torcem pela rápida finalização e sucesso do projeto.

Redação do Texto: Claudio Machado

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