Estação, Pista e Túnel para Trenzinho

O projeto do arquiteto Claudio Marinho de Albuquerque Cavalcanti previa a construção de duas estações para o trenzinho. Elas teriam uma área edificada de 282 m², sendo que desse total, 242 m² seriam de área coberta, reservada ao embarque. Os 40 m² restantes seriam ocupados pelos sanitários para homens, mulheres e crianças, além de um guichê de venda de passagens e local para a cama de um vigia.

A estrutura de quatro apoios e duas vigas calhas sustenta uma cobertura de 346 m². Essa configuração assegura a vista, em vários ângulos, da Baía de Guanabara e dos jardins. Para vencer os balanços de 4,30 m, no sentido transversal das vigas calhas, foram previstas vigas de seção variável: retangular nos extremos, se transformando em triangular, com crescimento em área, à medida que se avizinha dos apoios. Toda a estrutura e alvenarias são de concreto aparente.

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A Estação Norte, única a ser construída e utilizada, foi demolida em meados de 1967, por conta do embelezamento do parque para o Congresso do Fundo Monetário Internacional-FMI, no Museu de Arte Moderna. A Estação Sul ficou apenas no projeto.

Obs: a Estação do Trenzinho é o  item n° 9, da relação anexa ao Processo n° 748-T-64, de Tombamento do Parque.

Localização: A estação norte ficava entre o Monumento aos Pracinhas e as Pistas de Aeromodelismo, no Parque Brigadeiro Eduardo Gomes. A estação sul seria construída na curva próxima ao Monumento a Estácio de Sá, no Parque Carlos Lacerda.

O Trenzinho                 

Devido à sua grande extensão, o Parque do Flamengo necessitava de um meio de transporte que facilitasse ao público conhecê-lo por inteiro. A solução encontrada foi um trenzinho, o único veículo permitido a trafegar durante o dia na pista de 3 km de extensão e 5 m de largura, construída para esse fim. À noite, a mesma pista serviria de rua de serviço para os veículos coletores de lixo ou de transporte de material para as diferentes unidades existentes no parque.

Composto por quatro vagões, cada um deles com duas rodas pneumáticas no centro, o trenzinho puxado por um trator tinha capacidade para transportar cem passageiros a uma velocidade média de 12 km/h. Partiam do Monumento aos Pracinhas em direção ao Morro da Viúva, realizando um percurso circular. Fabricados pela empresa Teresópolis Turismo, foram adquiridos pela prefeitura um total de dezesseis vagões, ao preço de 8 milhões de cruzeiros, que formaram um conjunto de quatro trenzinhos.

Sua pré-estreia, no dia 24 de novembro de 1963, provocou imensas filas devido ao enorme sucesso. Em 09 de agosto de 1964, aconteceu a primeira viagem experimental, com a participação de Lotta de Macedo Soares e da nora e netos do governador Carlos Lacerda.

Os trenzinhos conquistaram um enorme sucesso. No ano de 1965, foram vendidas mais de 440 mil passagens, ao preço de 150 cruzeiros cada uma. Durante a semana os passeios eram gratuitos para crianças de orfanatos e alunos da rede pública de ensino. Cerca de 36 mil crianças fizeram o passeio naquele ano.

Em 1967, a empresa Teresópolis Turismo oferecia uma excursão que começava com um tour de trenzinho pelo Parque do Flamengo e terminava em um passeio na cidade de Teresópolis, com direito a almoço.

Em 04 de setembro de 1966, aconteceu o primeiro acidente fatal quando um menino de 12 anos, que tentou pegar carona, foi atropelado e morto pelo trenzinho. No dia 19 de novembro de 1972, ocorreu um acidente que feriu onze pessoas. A causa foi a imprudência de um grupo de rapazes que pulou no estribo do trenzinho, fazendo com que ele virasse devido ao excesso de peso de um lado só. Em 22 de julho de 1974, outro acidente deixou feridas sete pessoas, sendo três crianças, quando os dois últimos vagões tombaram em uma curva. Segundo os passageiros o acidente acorreu por excesso de velocidade. A empresa foi processada e os passeios foram interrompidos.

Em 1979, a prefeitura realizou uma nova licitação, vencida pela firma Irmãos Klein Divertimentos LTDA e o trenzinho voltou a circular em 1980. Mas, em 02 de agosto de 1981, uma ciclista morreu após ser atropelada. O maquinista da composição fugiu para escapar do linchamento pela multidão revoltada com o acidente. O proprietário dos trenzinhos, Harry Klein, alegou que a pista é invadida pelas pessoas com suas bicicletas e que por várias vezes os maquinistas têm evitado atropelamentos.

Apesar de a morte da ciclista ter sido causada pela demora no atendimento, que chegou quarenta e cinco minutos após o atropelamento, um abaixo-assinado, com mais de duas mil assinaturas foi entregue ao prefeito Júlio Coutinho, pedindo a retirada do trenzinho, considerado um perigo constante, por conta dos vários acidentes ocorridos ao longo dos anos.

Pista do Trenzinho

Concluída e inaugurada em 13 de dezembro de 1969, pelo governador Negrão de Lima, a pista do trenzinho tem 3,5 Km de extensão por 5 m de largura e cobre toda a extensão do parque. Sua construção foi orçada Cr$ 44 milhões.

À noite, a mesma pista serviria de rua de serviço para os veículos coletores de lixo ou de transporte de material para as diferentes unidades existentes no parque.

Obs: A Pista do Trenzinho é o item n° 10, da relação anexa ao Processo n° 748-T-64, de Tombamento do Parque.

Túnel para Trenzinho

Para facilitar o acesso dos veículos ao estacionamento do restaurante Rio’s e não interromper a passagem do trenzinho, foi construída uma pequena ponte sobre a pista, cujo vão acabou por tornar-se o famoso Túnel do Trenzinho ou Túnel do Eco.

Obs: o Túnel do Trenzinho é o item n° 39, da relação anexa ao Processo n° 748-T-64, de Tombamento do Parque.

Referências:

Fotos de época: retiradas da Internet.

Periódicos

Trenzinho no Atêrro será novidade para o carioca. O Globo, Rio de Janeiro, 06/06/1962.

Trenzinho do Atêrro. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 01/11/1963, pag. 10.

Crianças e adultos fazem fila para experimentar os carrinhos do Atêrro. O Globo, Rio de Janeiro, 25/11/1963.

Assinatura de Contratos. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 31/10/1963, pag. 5.

SURSAN faz concorrência para marionetes e pista de dança no Atêrro. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10/07/1964.

Teatro de Fantoches, Trenzinho e Pista para Dança no Nôvo Parque do Atêrro. O Globo, Rio de Janeiro, 11/07/1964.

Viagem experimental mostra que bondinhos do Atêrro vão aprovar. O Globo, Rio de Janeiro, 10/08/1964.

Com seu trenzinho Flamengo mostra beleza a 250 mil. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 08/08/1965.

Paraíso das crianças: alegria de todo mundo. O Globo, Rio de Janeiro, 22/03/1965.

FMI vem aí: Rio fica mais bonito e já gasta por conta. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 13/06/1967, pag. 10.

No Aterro, o domingo começa agitado: trem vira e fere 11. O Globo, Rio de Janeiro, 20/11/1972.

Bondinho tomba no Flamengo e fere crianças. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 23/07/1974.

Prefeitura do Rio de Janeiro – Concorrência nº 17/79 – Concessão de exploração com encargos, do Trenzinho do Parque do Flamengo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24/08/1979.

A quinta área de lazer do mundo: insegura, mal conservada. O Globo, Rio de Janeiro, 27/01/1980.

Bondinho atropela e mata uma ciclista no Flamengo. O Globo, Rio de Janeiro, 03/08/1981.

Trenzinho atropela e mata moça de bicicleta no Aterro do Flamengo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 03/08/1981.

 

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