Flora do Parque

Segundo o botânico Luiz Emygdio de Mello Filho, a solução paisagística escolhida para o Parque do Flamengo  dava especial ênfase às qualidades não só da renovação do ponto de vista da arquitetura paisagística, como também do elemento botânico a ser aplicado. Foi, especialmente, em sua composição arbórea, que se procurou transmitir uma ideia do que ali estava sendo realizado. A ideia de renovação foi baseada no emprego de novos materiais e de novas plantas em associações e arranjos originais.

As novas árvores, novas do ponto de vista paisagístico, foram recolhidas do que restava, à época, das grandes florestas do país e da floresta amazônica, ainda preservada. A outra fonte foi constituída pelas árvores tropicais de outros continentes que, pelo valor de sua floração e pela beleza de sua forma ou por outra razão qualquer, foram domesticadas. A arborização do Parque do Flamengo reuniu, assim, dois elementos, o autóctone e o exótico.

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Devido à proximidade do mar, foram escolhidas para o plantio, as espécies com capacidade de enfrentar as condições locais. Elas foram aclimatadas em um horto construindo no aterro, especialmente para esse fim. Especial cuidado também foi aplicado na escolha de espécies com florações sazonais, de maneira a assegurar flores durante todo o ano. Para enfatizar a forma e a coloração dessas florações, a vegetação foi disposta em grandes conjuntos de mesma espécie.

O projeto paisagístico de Burle Marx teve como uma de suas principais características a presença constante das palmeiras. São mais de 40 espécies, entre nativas e exóticas, com destaque para a Coripha umbraculiphera ou Talipot. Nativa da Índia e do Sri Lanka, ela vive em torno de 50 a 80 anos, floresce apenas uma vez em toda sua existência e, logo após, morre.  As palmeiras são um elemento que aproxima e integra a paisagem construída na paisagem natural. Em determinados trechos, agrupamentos da espécie imprimem um ritmo e modulação ao arranjo paisagístico. Elas ora se firmam como elementos verticais, em contraste com a topografia dos jardins, ora em touceiras delicadas deslocando-se ao sabor do vento, dando graça e movimento ao conjunto. As palmeiras são uma das expressões mais típicas da flora brasileira, que reúne o maior conjunto de espécies em todo o mundo.

Os jardins do Parque do Flamengo proporcionam a possibilidade de recreação visual, através da reunião de grupos das nossas mais importantes árvores floríferas. O paisagismo de Burle Marx teve a grande qualidade de utilizar, fixar e acentuar elementos da flora brasileira que, de outra forma, considerada a intensidade da devastação que acontece pelo país afora, estariam perdidos para a satisfação estética das gerações futuras. O resultado de todo esse esmero foi que, em sua inauguração em 1965, esse imenso jardim possuía 17 mil árvores, de mais de 350 espécies diferentes, sendo que 31 delas eram novas espécies nativas e exóticas. Como disse Luiz Emygdio, o projeto do Parque do Flamengo deu à cidade um parque na medida das suas necessidades e à altura de seus méritos.

Com o passar dos anos, a carência de cuidados e a falta de consciência ecológica dos governantes e dos frequentadores, muitas vezes, acarretaram perda de espécies botânicas. Em 1992, por iniciativa da Associação dos Moradores e Amigos do Flamengo–FLAMA, foi realizado sob a coordenação do botânico Luiz Emygdio de Mello Filho, um inventário florístico do Parque do Flamengo, o qual constatou que o parque tinha, àquela época, um total de 10.250 exemplares de árvores de 210 espécies distintas. Confrontado com o projeto original o inventário mostrou uma perda de aproximadamente 6.000 exemplares arbóreos.

Em 1977, o arquiteto-paisagista Haruyoshi Ono, do escritório Burle Marx, coordenou o projeto de recuperação e revitalização do Parque do Flamengo. Foi realizado um diagnóstico de toda a vegetação e dos elementos construídos existentes a partir do projeto original, da década de 60 e de um levantamento topográfico e fotográfico atual. O relatório final constatou, dentre vários outros aspectos, a descaracterização do projeto original, principalmente no que diz respeito às espécies vegetais, a não reposição dos elementos mortos e a falta de cuidados gerais como poda, limpeza, controle fitossanitário e adubação

O projeto de recuperação realizou o tratamento fitossanitário com a poda de 6.835 elementos arbóreos; a remoção de 296 árvores de grande e médio porte, por serem irrecuperáveis; 33 árvores de médio a grande porte, removidas por serem consideradas espúrias;  2.697 elementos que obtiveram controle químico; e 700 dendrocirurgias. Para recuperar as perdas havidas foram plantados 5.439 elementos, dentre árvores e palmeiras.

Passados vinte anos desde a última revitalização, a flora do parque está, novamente, ameaçada pelos mesmos problemas. Dentre eles, a ausência de cuidados de seus gestores e o uso predatório praticado por parte de seus usuários, todos carentes da necessária e urgente consciência ecológica.

Em 2016, a Biovert Florestal e Agrícola LTDA, empresa que tem entre suas especialidades a realização de inventários florísticos realizou, a pedido do Grupo BR Marinas, um novo inventário sobre a flora do Parque do Flamengo, para subsidiar uma nova revitalização da área, atendendo à exigência estabelecida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, como medida compensatória pela concessão da Marina da Glória ao grupo.

O relatório final da Biovert constatou que o Parque do Flamengo possui, atualmente, um total de 9.930 árvores, das quais 129 encontram-se mortas. O estudo identificou 39 famílias, 127 gêneros e 176 espécies. A família com o maior número de espécies é a Fabaceae, com 36 espécies, seguida da Arecaceae, com 33. Em número de indivíduos a família mais abundante é a Arecaceae, com 2.420 indivíduos, seguida da Fabaceae, com 1.487. A espécie em maior número é a Pachira aquática, Munguba,  originária da região amazônica, que conta com 695 indivíduos.

Das 176 espécies encontradas, 06 estão ameaçadas de extinção, de acordo com a Lista Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, do Ministério do Meio Ambiente, perfazendo um total de 221 espécimes. São elas: Caesalpinea echinata, Pau-brasil (87/0,88%); Sideroxylon obtusifolium, Quixabeira (65/0,65%); Clusia fluminensis, Clusia (39/0,39%), Ficus cyclophylla, Gameleira-grande (12/0,12%); Stifftia chrysantha, Diadema (7/0,07%), e Cedrela fissilis, Cedro (1/0,01%). Com relação à origem foram encontrados 5.463 indivíduos de origem exótica, perfazendo um total de 55% das espécies existentes no parque.

 Várias espécies utilizadas no paisagismo do parque são hoje classificadas como exóticas invasoras, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Estão representadas por 14 espécies, com 1.162 que totalizam 21% das exóticas encontradas. São elas: Terminalia catappa, Amendoeira (451/8%); Talipariti tiliaceum, Algodoeiro-da-praia (338/6%); Senna siamea, Falsa-acácia (123/2%); Schefflera actinophylla, Brassaia (80/1%); Albizia lebbeck, Albizia (53/1%) Clitoria fairchildiana, Sombreiro (40/1%); Leucaena leucocephala, Leucena (35/1%); Dombeya wallichiid, Dombéia (13/0%); Syzygium cumini, Jamelão (11/0%); Triplaris surinamensis, Formigueira (9/0%); Syzygium malaccense, Jambeiro (6/0%); Artocarpus heterophyllus, Jaqueira (1/0%); Eucalyptus sp, Eucalipto (1/0%); Phoenix affinis rupícola, Tamareira-silvestre (1/0%).

 No aspecto fitossanitário foram encontrados 9.244 (93%) indivíduos sem nenhum dano, 557 (6%) com algum tipo de dano, 386 (4%) com danos leves e 25 (0,6%) com danos graves, com risco de queda. Todos foram mapeados para facilitar a localização dos que necessitam de algum tipo específico de tratamento. Dentre as espécies com o maior número de indivíduos que requerem tratamento fitossanitário destacam-se: Licania tomentosa, Oiti, com 37 indivíduos; seguida pela Talipariti tiliaceum, Algodoeiro-da-praia, com 36; Pritchardia pacifica, Palmeira-leque-de-fiji, com 34; Chloroleucon tortum, Tataré, com 29; Terminalia catappa, Amendoeira, com 25; Pachira aquática, Munguba, com 22; e Bauhinia affinis variegata, Pata-de-vaca, com 20.

 

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