Praia do Flamengo

A Praia do Flamengo era, até os anos 1950, uma pequena faixa de areia, próxima à antiga foz do rio Carioca, situada entre as ruas Paissandu e Barão do Flamengo. Essa configuração começou a ser modificada em 15 de julho de 1964, quando a draga Ster I começou a lançar a areia da nova praia artificial no enrocamento de proteção construído para esse fim. No dia 19, mesmo com a temperatura abaixo dos 18 graus, banhistas eufóricos aproveitavam os primeiros cinquenta metros de praia produzidos pela draga. De acordo com os técnicos, a conclusão da obra se daria entre 4 a 6 meses, mas, problemas de quebra da máquina e fortes ressacas retardaram seu término, que aconteceu 11 meses depois, no início de julho de 1965.

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Com 1.500 metros de extensão, desde o Morro da Viúva até o Largo da Glória, e faixa de areia variável de 50 a 90 m, a praia, tombada pelo IPHAN, exigiu a retirada de 1.500.000 m³ de areia da Baía de Guanabara. Divida em duas partes em seu projeto original, a Prainha, situada próxima à Marina da Glória, é separada por um quebra-mar de pedras de 120 m (o espigão de defesa da praia), usado como área de pescaria. Além das praias, a faixa de 100 m mar adentro, em todo o contorno do parque, está incluída no perímetro de tombamento.

Para a execução dos estudos necessários à construção da Praia do Flamengo, a SURSAN consultou quatro laboratórios especializados e escolheu o Laboratório Nacional de Engenharia de Lisboa – LNEC, por ter apresentado o menor preço, Cr$ 7 milhões de cruzeiros. Os estudos do Laboratório reproduziram todos os fenômenos influentes na estabilidade das praias a serem construídas, tais como ondas, marés, correntes de maré, ventos e outros estudos experimentais de detalhes que se fizeram necessários e indispensáveis à execução da obra.

A draga Ster I, construída nos Estados Unidos para trabalhar na abertura do Canal do Panamá, a mesma que participou da construção das praias de Botafogo e Ramos, foi usada no trabalho de retirada de areia do fundo da baía. Com 90 m de comprimento, 15 m de largura e 4 m de calado, a draga de 3.500 toneladas tinha uma bomba centrífuga de 2.500 cavalos-vapor, lança que alcançava até 25 metros de profundidade e capacidade de remover 15.000 m³ de areia do mar, por dia. Era iluminada por cerca de 1.500 lâmpadas e operada em três turnos, com 40 homens em cada um.

Segundo Marcos Tito Tamoyo, diretor do Departamento de Urbanização da SURSAN, em 1963, a obra de construção da Praia do Flamengo estava orçada em Cr$ 600 milhões de cruzeiros, sendo Cr$ 280 milhões a serem gastos no enrocamento e os outros Cr$ 320 milhões, na colocação de areia.

Apesar de, ainda poluída, por estar situada dentro da Baía de Guanabara, a Praia do Flamengo é usadas para a prática de canoagem, stand up paddle e, até banho, ainda que não recomendado. Nos finais de semana de sol forte, quando o espaço na areia não é suficiente para todo mundo, o gramado é largamente utilizado pelas pessoas. Três postos de salvamento, localizados junto à pista asfaltada que acompanha toda sua extensão, contam com banheiros e chuveiros.

A qualidade da areia da Praia do Flamengo, segundo a classificação da Secretaria do Meio Ambiente, é uma das melhores de todas as praias da cidade. O índice usado para a análise classifica a areia como não recomendada, regular, boa e ótima. A do Flamengo é classificada como boa. Nela, são praticados esportes diversos, como vôlei de praia, futebol de areia, futevôlei, frescobol, assim como diversas academias ali exercitam seus alunos. Para a Secretaria, a presença de cachorros é o fator principal para a classificação “não recomendada” da areia de algumas praias. O mesmo se aplica à presença de restos de comida.

A Comlurb executa regularmente um ótimo serviço de limpeza na areia das praias. Vamos colaborar, não leve animais e recolha seus resíduos de alimentos e embalagens. A participação de cada um é um exercício de cidadania e garantia de uma melhor qualidade de vida para todos. Faça a sua parte.

Obs: a Praia do Flamengo é o item n° 22 da relação anexa ao Processo n° 748-T-64, de Tombamento do Parque.

Referências:

http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_07&pagfis=27653&url=http://memoria.bn.br/docreader#

http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_07&pagfis=43855&url=http://memoria.bn.br/docreader#

http://www.tz.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.136/4048

Fotos de época: https://www.google.com.br/search?q=fotos+antigas+da+praia+do+flamengo&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwja6sCV84LYAhVEON8KHSTsB3gQ_AUICigB&biw=1600&bih=783

Periódicos

Praia artificial do Flamengo chega a tempo para os moradores aproveitarem o verão. O Jornal, Rio de Janeiro, 27/10/1960

Trem de 16 vagões mostrará o Atêrro aos turistas. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 23/06/1963.

Lisboa tem estudo para a Av. Atlântica. Correio da Manhã, 14/11/1963.

SURSAN promete aos cariocas Praia do Flamengo para março. A Noite, Rio de Janeiro, 16/01/1964.

280 milhões mais para a P. do Flamengo. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 31/05/1964.

“Ster” construirá Praia do Flamengo. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 170/06/1964, pag. 8.

Inauguram com chuva e frio a nova Praia do Flamengo. O Globo, Rio de Janeiro, 20/07/1964, Vespertina, Geral, pag. 16.

A Draga que fez duas praias artificiais do Rio foi vendida como sucata pelos Estados Unidos. O Globo, Rio de Janeiro, 10/07/1965, Matutina, Geral, pag. 13.

A “Ster” vai para São Paulo. O Globo, Rio de Janeiro, 06/07/1965, Matutina, Geral, pag. 4.

 

 

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